segunda-feira, 10 de julho de 2017

Quase 4 mil mulheres foram vítimas de violência nos primeiros meses do ano no AM

O caminho é um só: ameaça, injúria, vias de fato, lesão corporal, tentativa de homicídio e por fim, feminicídio. A realidade dos crimes contra mulheres choca tanto pelas consequências como pelos números.

Somente nos quatro primeiros meses deste ano a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) registrou 3.983 crimes de violência contra mulheres. No ano passado este número foi de 3.829, no mesmo período, ou seja, este ano, 154 mulheres a mais foram vítimas no Amazonas.
“A nossa maior incidência de crimes registrados aqui na delegacia é ameaça e injúria. A violência geralmente inicia-se com palavras, com violência psicológica, moral e somente a partir daí estes infratores partem para a violência física”. A afirmação é da delegada da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM), Débora Mafra.
Os crimes em geral acontecem dentro de casa e têm como vítimas mulheres que muitas vezes são dependentes financeiramente dos companheiros.
A comprovação vem com o depoimento de uma vítima, que iremos preservar a identidade. A mulher, de 41 anos, sofreu nas mãos do agressor por 18 anos em Manaus. Segundo ela, as agressões começaram após dois anos de casados, com xingamentos que evoluíram para agressões físicas constantes.
“No início do casamento era tudo maravilhoso. Depois de dois anos comecei a ser agredida psicologicamente com xingamentos. Aguentei todo esse tempo porque eu dependia dele para tudo, pois não tinha nenhuma profissão, nem mesmo emprego. Tivemos duas filhas e este era mais um motivo para eu ter vergonha e medo de denunciar”, lembrou.
E só após uma tentativa de homicídio a mulher resolveu sair de casa com as três filhas. “Fui para casa da minha mãe, mas passei um dia calada até conseguir vencer meus próprios medos e me abrir com minha família. A partir daí, foi mais um dia criando coragem para ir a uma delegacia e expor todo o meu sofrimento”.
Depois de formalizar a denúncia, a vítima passou mais dois anos sob ameaças. No início deste ano, o homem descumpriu uma medida protetiva e acabou preso.
Para a vítima, a maneira como casos de violência contra mulher ainda são tratados pode influenciar da desistência em levar o direito de ser livre a diante. “Na audiência eu me senti como uma criminosa, que tinha que provar o contrário. Tive que levar provas concretas contra ele porque as violências psicológicas não contam legalmente. Ao final ainda saí como mentirosa, pois como nos relatos eu acabei mudando uma coisa ou outra, devido ao grau de nervosismo que estava, isso pesou contra mim. “Eu perdi minha juventude, mas a partir do momento que me decidi não viver mais na violência, fui até o fim. Não podemos nos deixar levar por agrados vindos depois de um ato violento”.
Marido suspeito de matar mulher em Urucurituba
A comerciante Tatiana Barroso da Silva, 37, foi atingida com cinco disparos de arma de fogo dentro da cada onde morava, no município de Urucurituba.
A mulher foi socorrida e trazida para o Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, mas na manhã de sábado (8) não resistiu e acabou morrendo. Segundo a família o principal suspeito do crime é o ex companheiro dela, que não teve o nome revelado. O caso é investigado pela delegacia do município.

No dia 7 de maio, a professora Rocicleide Araújo da Silva, 34, foi morta pelo companheiro que a amarrou em uma árvore às margens do rio Ariaú, no quilômetro 37 da AM-070, no município de Iranduba.