terça-feira, 11 de julho de 2017

Ministério Público vai apurar uso de igrejas na campanha de candidatos a governo

O procurador regional eleitoral, Victor Ricceli, afirmou que irá apurar a denúncia sobre a utilização de instituições religiosa para a campanha eleitoral para o governo do Amazonas, de autoria do Comitê Estadual de Combate à Corrupção e ao Caixa 2. Na representação entregue, nesta segunda-feira (10), o comitê citou os candidatos Amazonino Mendes (PDT), Eduardo Braga (PMDB) e José Ricardo Wendling (PT), que estiveram em eventos religiosos.

Segundo o documento, os coordenadores do comitê receberam de vários religiosos denúncias de uso para campanha eleitoral de igrejas e reuniões religiosas. A comissão também anexou postagens das redes sociais dos candidatos e publicações na mídia.
“Será analisada a situação concreta e se verificado algum tipo de abuso de poder econômico, arrecadação ilícita de recurso ou doação irregular e que possa afetar a normalidade das eleições, isso é passível de multa e de cassação de mandato”, disse o procurador. “Tudo será analisado. A justiça eleitoral irá se basear no caso concreto e nas provas”, disse o procurador.
No dia 17 de junho, o então pré-candidato Eduardo Braga participou de um evento público do Ministério da Restauração, com cerca de 100 mil fieis. O candidato Amazonino Mendes participou no dia 9 de julho de um culto na Assembleia de Deus. Já o candidato José Ricardo, esteve na sexta-feira  em um  evento da igreja católica.
A assessoria de Eduardo Braga e Marcelo Ramos (PR) informou que os candidatos estiveram no evento, na condição de convidados. “Em nenhum momento os dois discursaram para o público e muito menos falaram em eleição”, acrescentando que a coligação está a disposição da Justiça Eleitoral.
A coligação "Movimento Pela Reconstrução do Amazonas", de Amazonino Mendes, informou por meio de nota que o candidato “não foi ao evento religioso com equipe de comunicação ou apoiadores políticos. Foi convidado e esteve presente. A coligação reitera que Amazonino não deu entrevistas ou propagandeou sua candidatura”.
À reportagem, José Ricardo (PT) afirmou que ainda não recebeu nenhuma notificação e que não pediu votos nas atividades da igreja que participa.  “Eu vou em muitas atividades, sou ligado à igreja católica, mas não pedi voto, não tenho material distribuído. Não deixo de ir às atividades da igreja, porque faz parte da minha rotina”, disse.
Caixa Dois
O Comitê também entregou documentos assinados pelas nove chapas que participam da eleição suplementar para o governo do Amazonas, em que se comprometem a não fazer o uso do caixa dois. A prática será investigada pelo Ministério Público Eleitoral e a Polícia Federal.
Prática é proibida

A propaganda eleitoral no interior das igrejas é expressamente proibida, uma vez que templos constituem bens de uso comum, sendo neles vedada a veiculação de propaganda de qualquer natureza, segundo a Lei das Eleições.