sexta-feira, 7 de julho de 2017

Funcionários de maternidade afastados por suspeita de estupro são concursados

Os dois funcionários afastados da Maternidade Doutor Moura Tapajóz, no bairro Compensa, na Zona Oeste, são concursados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e podem ser exonerados dependendo do resultado da sindicância que foi instalada após a secretaria ter ciência do caso. Eles foram denunciados por suspeita de estupro de vulnerável contra uma mulher de 25 anos que havia acabado de fazer um parto por cesariana.

A comissão que apura o caso tem o prazo de 30 dias para apresentar o relatório conclusivo dos trabalhos. Mas, este prazo, pode ser prorrogável por até 15 dias, conforme informou nesta quinta-feira (06) a Semsa.
A pasta explicou que segue protocolos do Ministério da Saúde (MS) para operação cesariana. E que prestou assistência e apoio à paciente e ao bebê, além de serviços de apoio psicológico e social para a parturiente e familiares.
Hoje, o Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH) e a Comissão da Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Amazonas (OAB/AM) repudiaram o ocorrido e afirmaram que vão acompanhar o caso. Ambos participaram de uma diligência na Maternidade Moura Tapajóz e no 8º Distrito Integrado de Polícia (DIP) onde foi registrada a ocorrência.
“Pedimos cópias da sindicância e do inquérito. Assim que recebermos vamos analisá-los e emitir novas recomendações e providências necessárias. Se for o caso, inclusive, pedir posição mais urgente. Estamos estarrecidos! Não queremos que situações como essa voltem a ocorrer nas maternidades. É intolerável e inadmissível essa violência obstétrica”, afirmou o presidente do CEDH, Glen Wilde.
Ele revelou que, em breve, o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos vai emitir recomendações para mudar o que está ocorrendo nas maternidades do Estado e Município. “Uma dessas recomendações será que a mulher quando for fazer a assepsia (procedimento pós-cirúrgico) seja acompanhada de um profissional homem e uma mulher, ou duas profissionais mulheres, além do acompanhante”, contou.
As recomendações, conforme Wilde, serão direcionadas para as secretarias estadual e municipal de Saúde (Susam e Semsa, respectivamente).
Entenda o caso
Segundo a acusação, feita pelo marido da vítima, os dois servidores aproveitaram que a paciente, uma mulher de 25 anos, estava sob efeito da anestesia da cesariana e passaram a mão na vagina e no ânus dela. Durante o ato libidinoso, eles tocaram os próprios pênis. O crime ocorreu no início da noite do último domingo (2).
Segundo o Boletim de Ocorrência (BO), o esposo da vítima, um mototaxista de 25 anos, relatou em depoimento que estava dentro da sala de parto quando os dois homens, vestidos com jalecos verdes, se aproximaram de sua companheira e começaram a tocá-la na vagina e nádegas. Após isso, eles tocaram em seus pênis.

Em seguida, o esposo interferiu, questionando os profissionais, que não tinham percebido a sua presença no local. Os dois saíram da sala e depois retornaram para fazer o procedimento de assepsia (procedimento pós-cirúrgico). O mototaxista então denunciou o caso na direção da maternidade e em seguida para a Polícia Civil.