segunda-feira, 3 de julho de 2017

Candidatos a governo do AM contabilizam prejuízo após suspensão de eleição

Os candidatos ao governo do Amazonas começam a contabilizar os prejuízos econômicos que a suspensão das eleições suplementares ocasionou à campanha iniciada no dia 20 de junho. Para alguns, o prejuízo imaterial pesou mais.

Depois de oito dias de campanha eleitoral no Estado, o ministro Ricardo Lewandowski decidiu, por meio de uma liminar, que as eleições no Amazonas seriam suspensas até que se julgassem todos os recursos do processo de cassação do governador José Melo (PROS) e vice Henrique Oliveira (SD).
O planejamento realizado pelos partidos pequenos, com uma campanha enxuta e de poucos recursos, fez com que os gastos fossem pontuais, como na impressão de material gráfico. O presidente do PPS, Elcy Barroso Jr., seguiu o esboço para contingência dos recursos na campanha da candidata Liliane Araújo. “Quando eu soube da suspensão mandei logo parar o que tinha. Eu estou fazendo ainda o levantamento que eu devo ter amanhã (nesta segunda-feira) tudo, mas está estimado em torno de R$ 100 mil o que nós já gastamos”, explicou.
O secretário geral do PP, Walter Sipelli, em que Rebecca Garcia (PP) concorre ao cargo, contou que alguns contratos foram fechados e nem todos os materiais foram entregues, mas até o momento estão suspensos até que haja uma definição permanente do destino das eleições.
O candidato Marcelo Serafim (PSB), da coligação “Coragem para mudar o Amazonas”, revelou que o valor gasto com o material gráfico foi próximo de R$ 70 mil. “Nossa campanha é enxuta e sem grandes gorduras. Não temos ninguém contratado e apenas serviços gráficos haviam sido realizados. [...] Só faríamos gastos com fretamento de aeronave e o combustível, que também é um gasto pesado”, disse.
De acordo com o secretário do PMDB, Miguel Capobiango, os maiores gastos foram com produção de imagem e de vídeo, apesar de a parte gráfica ser um gasto importante. “Esses contratos já estão compactuados, as equipes se deslocaram das suas origens de trabalho, deixaram de trabalhar nas suas equipes normais, como é uma campanha muito rápida exige uma dedicação exclusiva”, expôs.
Além dos danos financeiros, candidatos ressaltam que a insegurança jurídica aflige a todos das equipes. “O prejuízo não é só material, o prejuízo é motivacional, o prejuízo é da mobilização. [...] Nós dependemos de voluntários. Esse tipo de prejuízo não material, no nosso caso, é superior ao prejuízo material”, afiançou Luiz Castro (Rede).
“O maior prejuízo foi para a democracia. Os prejuízos financeiros fazem parte, mas o maior prejuízo é o não direito do povo de escolher seu governador”, assegurou Wilker Barreto (PHS).
Os candidatos asseguraram, também, que irão procurar o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) para sanar as dúvidas contábeis.
Recesso
Os candidatos aguardam a decisão da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, em relação à liminar do ministro Ricardo Lewandowski, que suspendeu as eleições suplementares. O STF entrou em recesso na última sexta-feira (30) e a plantonista até 30 de julho será a presidente.
Todos contra um: recurso em pauta
Além do mandado de segurança por parte do deputado estadual José Ricardo (PT), que concorre à vaga de governador nas eleições suplementares, outros candidatos ser movimentam para derrubar a liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski que suspende o pleito eleitoral.
O candidato pela REDE, o deputado estadual Luiz Castro, utilizará dois recursos para derrubar a liminar: um mandado de segurança e um agravo.  “Estamos concluindo a peça e a gente deve, até o meio dia (de hoje), já peticionar eletronicamente. Mas resolvemos utilizar os dois instrumentos, o mandado de segurança e o agravo, porque nós entendemos que o instrumento mais cabível é o agravo interno, mas em uma situação excepcional como essa também tentar o mandado de segurança”, esclareceu.
O presidente do PPS, Elcy Barroso, e Wilker Barreto (PHS) irão se reunir ainda nesta segunda-feira (3) para definir com a assessoria jurídica o melhor meio para interferir na decisão de Lewandowski. “Vários partidos entraram com medidas de mandado de segurança e o PHS vai entrar para mostrar que todos os partidos tem interesse nas eleições diretas que, em minha opinião, estava uma eleição pacificada, estava uma eleição em curso”, disse Barreto.
Durante entrevista à imprensa, Eduardo Braga (PMDB) informou que a coligação deve aguardar esta semana para entrar com um agravo regimental no plantão do STF buscando a revogação da liminar.
Blog: Luiz Castro, deputado estadual e candidato pela REDE

“Nós  não fizemos muitos gastos,    porque nós iríamos iniciar a solicitação de doações a partir de segunda-feira, busca de apoio a partir do final de semana. E os gastos que nós contratamos não foram tão grandes, mas proporcionalmente a nossa capacidade financeira, porque nós somos uma coligação que tem partidos que tem um fundo partidário muito reduzido, então não podemos ser comparados a partidos como o PMDB, o PT, o próprio PSDB e o PDT que tem fundos partidários muito mais robustos que os nossos. A REDE e o PSOL têm fundos partidários que a minirreforma política do ano passado privilegiou aos grandes partidos em prejuízo dos pequenos, já foi uma estratégia que foi adotada pela maioria dos parlamentares para prejudicar, tentando inviabilizar a subsistência de partidos como os nossos. A única doação que havia sido depositada na minha conta eleitoral tinha sido uma doação minha mesmo para o início da campanha de R$ 10 mil e eu não vou deixar de honrar os compromissos que a gente assumiu. Mas tivemos essa coincidência de que nós iríamos contratar um número de panfletos maiores, justamente no dia em que aconteceu a suspensão. Então não chegamos a fazer uma contratação de panfletos que para nós vai ser um prejuízo razoável”.