sábado, 24 de junho de 2017

Maioria dos municípios do AM consome carnes de abatedouros clandestinos

Apesar de ser o maior Estado do País em extensão territorial, o Amazonas conta com apenas 16 entrepostos de carne e nove matadouros bovinos regulares, prestando serviços em dez municípios, conforme a Agência de Defesa Agropecuária e Florestal (Adaf). Isto quer dizer que 52 cidades amazonenses consomem carne de abatedouros clandestinos, com condições precárias de higiene.

Os abatedouros com selo do Serviço de Inspeção Estadual (SIE), de competência da Adaf, estão em Boca do Acre (01), Iranduba (01), Itacoatiara (01), Lábrea (01), Manacapuru (01), Manaus (02), Tabatinga (01) e Tefé (01). Já os entrepostos estão na capital (13), Itacoatiara (01), Careiro Castanho (01) e Manaquiri (01).
De acordo com o gerente de inspeção da Adaf, e atual presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-AM),  Haruo Takatani, nos municípios onde não há abatedouros com selo e nem ao menos entrepostos (que contam com câmara frigorífica, caminhão frigorificado e inspeções regulares), o abate de carne é totalmente clandestino. “Em Careiro da Várzea, que é aqui pertinho, todo gado é abatido em lugar desconhecido. Não se sabe a procedência. Então toda carne é um pouco comprometedora. Só dá pra ter certeza nestes municípios onde há abatedouro regular ou entreposto”, destaca.
Consumo
O Amazonas conta com 1,29 milhão de cabeças de gado, com base na Pesquisa da Pecuniária Municipal 2015, divulgada no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O gerente do Programa de Produção Rural Sustentável do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), Gabriel Carrero, enfatiza que em todos municípios se consome carne, mas a falta de abatedouros municipais aumenta a probabilidade dela estar contaminada.
“É um problema de questão sanitária que pode afetar a saúde da população destas cidades”, afirma. Dentre as doenças mais comuns relacionadas ao consumo de carne contaminada estão a tuberculose e a brucelose.
Além da carne
A população precisa ser orientada a consumir apenas produtos inspecionados, assim como as prefeituras deveriam regularizar os locais que lidam com estes produtos, já que tanto a Adaf quanto o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estão dispostos a ajudar, segundo Haruo Takatani.
De acordo com ele, o risco de saúde envolve outros produtos, como ovos e mel. Segundo levantamento da Adaf, em todo o Estado há somente nove municípios com selos em laticínios, dois com entrepostos de mel, 12 com entrepostos de pescado e cinco com de ovos.
Conforme a Superintendência Federal de Agricultura no Amazonas, órgão do Ministério, neste mês, uma operação contra clandestinidade, conjuntamente com a Adaf, resultou na apreensão aproximada de cinco toneladas de queijo sem registro em serviço de inspeção. O selo do Serviço de Inspeção Federal (SIFE) de competência da Superintendência encontra-se em estabelecimentos localizados em Manaus, Iranduba, Manacapuru, Tefé, Parintins, Itacoatiara e Boca do Acre.
Na pauta do Congresso
A situação dos abatedouros de animais no Amazonas entrará na pauta de audiências públicas da Comissão Mista do Congresso Nacional que analisa a Medida Provisória 772/2017. A proposta de inserção foi apresentada pela deputada federal Conceição Sampaio (PP), que é membro da Comissão Mista, presidida pelo senador sergipano Eduardo Amorim (PSDB).

Meio milhão é o valor máximo de multa que pode ser aplicada a empresas de processamento de produtos de origem animal que infringirem a legislação sanitária. O valor foi elevado pela MP 772/ 2017.