terça-feira, 2 de maio de 2017

Em dois meses, mais de 1,8 mil foram internados com doenças respiratórias, em Manaus

Com a ocorrência de chuvas em Manaus, no início deste ano, 1.841 pessoas já foram internadas, entre janeiro e fevereiro, em hospitais e prontos-socorros do Sistema Único de Saúde (SUS), da capital amazonense, com doenças no aparelho respiratório.

O dado é compilado pelo Ministério da Saúde (MS) e corresponde a internações com diferentes doenças, que muitas vezes levam, inicialmente, o nome de ‘virose’, como Influenza (gripe), pneumonia, doenças do nariz e dos seios paranasais, além de asma.

Filho do professor Wagner Alves do Nascimento, 35, um menino de um ano e onze meses, chegou a ser internado no Pronto-Socorro da Criança da Zona Oeste, no bairro Compensa, zona oeste da capital, em abril, com o diagnóstico de pneumonia. Segundo Wagner, o bebê recebeu o diagnóstico de bronquiolite. A partir deste dia, segundo Wagner, ele e a esposa iniciaram uma verdadeira peregrinação com o filho indo, diariamente, aos prontos-socorros. “Todos os prontos-socorros que fomos estavam sempre lotados. Muita gente com virose”, disse o professor, acrescentando que foram ao Serviço de Pronto-Atendimento (SPA) – Hospital e Maternidade Chapot Prevost, no bairro Colônia Antônio Aleixo e SPA São Raimundo, no bairro de mesmo nome, ambos localizados na zona sul da capital.
O empresário Anderson Nascimento, 33, também precisou levar o filho  Ryan Nascimento, 9, para tomar medicação no Pronto-Socorro da Criança da Zona Sul. Segundo Anderson, Ryan apresentou dor no corpo, garganta inflamada e febre. “Tem que ir com tempo, porque é muita criança nos hospitais com virose”, afirmou Nascimento, acrescentando que os médicos dizem que a doença é, muitas vezes, causada por mudança de temperatura.
A dona de casa Naiara Lima Leão, 26, levou o filho Fernando Lucas Leão Menezes, 12, na segunda semana de abril, ao Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio, na zona leste de Manaus. Segundo a dona de casa, o adolescente sentia dor nas costas, febre, vômitos e falta de apetite. “Disseram que ele chegou a ter anemia até”, afirmou Naiara.

Mudanças climáticas
O diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), Bernardino Albuquerque, aponta que as  viroses estão relacionadas às mudanças climáticas e são transmitidas pelas vias respiratórias. Em Manaus, com a ocorrência de chuvas, segundo Bernardino, a incidência de viroses aumenta, já que o corpo humano tenta se adaptar à mudança de temperatura e “as pessoas tendem a ficar mais tempo dentro de ambientes fechados por causa das chuvas”, o que facilita a transmissão das doenças.
Conforme informações da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam), as viroses são doenças causadas por germes que o próprio corpo elimina. São doenças causadas, geralmente, por via respiratória, e a maioria tem o nome de ‘resfriado’. Nos três dias de febre, cinco dias de garganta irritada e 15 de tosse com catarro, o corpo mesmo elimina os germes e os pais devem apenas ter o cuidado para que a criança fique em repouso e se mantenha hidratada.

Virose
Levantamento da secretaria de saúde aponta que, somente em março, o Pronto-Socorro da Criança da Zona Oeste atendeu 208 crianças com o diagnóstico de virose. Na unidade da zona sul, conforme a Susam, foram 144 casos. O número de atendimento desses tipos de casos nos SPAs também tem sido grande no último mês. No SPA do São Raimundo, de acordo com a Susam, foram registrados 90 atendimentos entre 1º de março e 11 de abril.

Campanha
Pelo menos 366 mil pessoas devem ser vacinadas, contra a influenza, até dia 26 de maio, em Manaus, segundo informou a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) que prevê tornar disponível 500 mil doses da vacina nas salas de vacina das Unidades Básicas de Saúde (UBS) da capital. A ação faz parte da 19ª Campanha Nacional de Vacinação

Síndrome respiratória grave atinge dez crianças
Ontem, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) informou que adotou medidas estruturais em sua rede de atendimento para receber crianças com suspeita da síndrome respiratória aguda grave (SRAG), uma doença causada por vírus. No mês passado, dez crianças foram vítimas da doença após chegarem em estado grave nos prontos-socorros da capital. Exames realizados nos pacientes diagnosticaram os vírus da Influenza B e o Vírus Sincicial Respiratório, como causadores da SRAG.
Os casos de crianças com a doença registrados em abril não foram os primeiros no Amazonas, mas surgiram com mais frequência nos prontos-socorros da capital a partir do dia 21 do mês passado, por conta do período climático. “Em dez dias de monitoramento da doença, constatamos a importância de se traçar um plano de ação”, disse a secretária da Susam, Mercedes Gomes.
Segundo a Susam, para melhorar o processo de atendimento à SRAG haverá reforço no plantão pediátrico com a ampliação dos leitos nas enfermarias dos hospitais de Manaus, além  da criação de um grupo itinerante de monitoramento das ações (médicos e enfermeiros) realizadas nos hospitais.
Também será implantada a entrega do ‘kit-alta’, com medicamentos para continuidade do tratamento domiciliar e o acompanhamento dos pacientes recém-liberados dos prontos-socorros por profissionais dos Centros de Atenção Integral à Criança (CAICs).  
A quinta medida para combater a síndrome respiratória aguda grave é a disponibilização de um medicamento para aumentar a imunidade dos recém-nascidos prematuros (até 32 semanas) nas maternidades do Estado, com a aplicação da Palivizumabe.