terça-feira, 2 de maio de 2017

Deputados propõem investigar José Melo

Manaus - Deputados estaduais do Amazonas defenderam, ontem a investigação da denúncia apresentada por ex-dirigentes do PROS, que confirmaram   informação de delatores da Odebrecht de que o partido vendeu seu tempo de rádio e TV para candidatos que disputavam as eleições de 2014.

Entre os candidatos citados está o governador do Amazonas José Melo (PROS) que, segundo os delatores, comprou seu tempo de TV por R$ 2 milhões.
O ex-presidente de honra do PROS, Henrique Pinto, disse que, apesar de José Melo pertencer à legenda, o presidente do partido exigiu R$ 2 milhões pelo tempo de TV. “Apesar do ‘Zé’ Melo ser do PROS, ele (Eurípedes Junior, presidente do PROS) exigiu que ele (Melo) desse R$ 2 milhões”, disse Pinto à TV Globo. Segundo informações da revista Veja, o PROS também vendeu seu tempo de rádio e TV à campanha da chapa Dilma Rousseff e Michel Temer, em 2014.
Melo negou as acusações. “Tais ilações são resultado de manobra politiqueira absurda e tentativa covarde de associar o seu nome a esquemas ilícitos”, disse, em nota.
O deputado estadual José Ricardo (PT) afirmou não estar surpreso com a acusação. “A prestação de contas da campanha do governador José Melo já revela que grande parte dos recursos para a campanha veio de empresas fornecedores do Estado. Isto já é uma relação promíscua, de interesse imoral, sendo que estas empresas receberam um bilhão de reais, que foi adiantado pelo Estado. Este é o lado oficial, o oficioso começa a aparecer, o dinheiro vem não sei da onde para a campanha dele”, afirmou.
Para a deputada estadual Alessandra Campêlo (PMDB) a denúncia demonstra o uso de caixa dois na campanha. “Primeiro, dois milhões é um valor muito alto. A maioria dos brasileiros nunca terá este dinheiro por mais que trabalhe toda a vida. Quer dizer, ele (José Melo) já começou pelo caminho errado. Outra coisa é que quem está falando (ex-dirigente do PROS) está falando com propriedade. A terceira coisa é que este fato não me surpreende porque grande parte das acusações que ele responde no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) é relacionada a uso de caixa dois, dinheiro, inclusive, do Estado. Provavelmente, este dinheiro deve ser também do Estado, assim como foi no caso Nair Blair, assim como foi no caso em que ele fez depósito de valores altos para comandantes da Polícia Militar comprarem votos no interior. Agora, o que eu acho é que a Polícia Federal vai ter que investigar porque o Brasil está passando por um momento em que tudo esta sendo investigado e a política está sendo passada a limpo”. 
De acordo com o deputado estadual Luiz Castro (Rede) o cenário envolvendo a denúncia é entristecedor. “É muito triste a gente ver a podridão do sistema político brasileiro, com raras exceções, e o PROS não é exceção. Ao contrário, o PROS é um exemplo típico de partido de aluguel. Exemplo de um partido da velha política corrompida deste País, um exemplo negativo do que se deve mudar. Este sistema político brasileiro está corrompido pelo fisiologismo, pelo clientelismo, pelo aparelhamento. A Lava Jato tá mostrando isto, mas a maioria dos políticos não quer enxergar e não está disposto a procurar uma mudança”, afirmou o parlamentar.