quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Família amazonense tenta enterro digno para travesti assassinado no Rio

Uma família de Manaus vem enfrentando um verdadeiro calvário para garantir enterro digno a Fábio de Souza Vieira, de 27 anos, assassinado em 8 de dezembro do ano passado no Rio. Por ter dado entrado no Instituto Médico-Legal sem documentos, e como ninguém o reclamou a tempo, o corpo foi enterrado como indigente no Cemitério de Santa Cruz, na Zona Oeste.
De acordo com a família, Fábio era travesti, atendia pelo nome de Melissa Souza e mantinha pouco contato com os parentes de Manaus. Os familiares só souberam da morte por meio das redes sociais.
“Soubemos por uma página de jornal que tinham matado uma travesti, com cinco tiros, e que o corpo tinha sido abandonado na rua Doutor Lessa, em Realengo. Soubemos que a divisão de homicídios estava com o caso, e a partir daí entramos em contato, e lá ficou confirmado que era ela”, contou Fabiana, irmã da vítima.
Fabiana e a mãe, Ivoneide, passaram a manhã desta terça-feira (24) no IML buscando uma solução para o caso. “Queremos só tirar ele dessa condição de indigente”, afirmou a irmã. “Não sei nem mais o que pensar sobre isso”, completou a mãe.
Segundo a família, o corpo da travesti ficou 20 dias no IML até ser enterrado como indigente. A paralisação da Polícia Civil, que completou uma semana nesta terça, dificultou ainda mais a situação.
Fabiana e a mãe chegaram no Rio na semana passada. Somente nesta terça conseguiram a certidão de óbito. Porém, o documento identifica o corpo apenas como “homem”, de naturalidade, filiação e documentos ignorados, o que caracteriza a condição de indigente.
“Fomos até a Divisão de Homicídios na semana passada e nos disseram que não havia investigador lá. Viemos no IML quinta, sexta e ontem. Somente hoje [terça] conseguimos o documento”, reclamou Fabiana.
A família reclama também que não conseguiu mais informações sobre o assassinato da travesti. Mãe e irmã afirmaram que se tratava de uma pessoa educada, “que não mexia com ninguém”.
“Para levar cinco tiros, só pode ter sido alguém que invejava, ou um namorado, ou que tenha sido algo premeditado. Para ela, estava sempre tudo ótimo”, disse Fabiana, cobrando empenho nas investigações sobre o crime