quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Dia de Nossa Senhora da Conceição é celebrado com respeito à diversidade religiosa em Manaus

O feriado é da Padroeira do Amazonas, Nossa Senhora da Imaculada Conceição, e dezenas de fiéis assistiram a primeira missa do dia dedicada à santa. Porém não foram apenas os católicos que marcaram presença na cerimônia. Representantes evangélicos, budistas, judeus e de diversas religiões de origem africana também participaram da celebração, que teve como maior objetivo, promover o respeito à diversidade religiosa.

Batizado de “Abraço da Paz”, o ato simbólico aconteceu na Catedral Metropolitana de Manaus, no Centro. O evento foi realizado pela Articulação Amazônica de Povos Tradicionais de Matriz Africana (Aratrama), Arquidiocese de Manaus e pela Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Estado do Amazonas (Fucabeam), com o apoio da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejusc).

“Assim como o Brasil, o Amazonas é um Estado laico. Por isso, dentro das nossas diretrizes de igualdade e direitos humanos e religiosos, incentivamos o respeito entre todos os tipos de crenças. O respeito à qualquer tipo de diversidade é essencial para a sociedade”, disse a secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos, Graça Prola.

O arcebispo de Manaus, Dom Sérgio Castriani, recebeu os representantes religiosos e falou em como o principio da igualdade está inserido nos valores cristãos. “Acho que deveríamos promover essa interação mais vezes ao ano. Há muito tempo, a igreja incentiva esse convívio e o respeito às cresças de todos. Deus nos ensinou isso e estamos aplicando nesta ação”.

Diversidade - Parte das religiões afrodescendentes a padroeira do Amazonas é representada pelo orixá das águas Oxum ou Iemanjá. “Dividimos uma data muito especial com diversas outras religiões. Neste momento estamos aqui para mostrar para a sociedade que não existem motivos para se ter preconceito com a escolha religiosa de nenhum grupo. Nós queremos apenas deixar de ser perseguidos por nossas escolhas e conviver igualmente com todos”, disse o coordenador da Aratrama, Alberto Jorge.

Para Fabio Martins, coordenador da Brasil Soka Gakkai Internacional, que é uma entidade budista, disse que a interação promove a dignidade para as pessoas. “Nossos princípios são esses. Com liberdade e respeito o ser humano passa a aceitar melhor as diferenças. A atividade de hoje prova isso. Esse grande número de representatividades juntas e em harmonia é o que deveria acontecer sempre”, afirmou.

Caminhada da Paz será sábado 
No dia 10, sábado, de 8h às 10h, ocorre o evento “Direitos Humanos: Caminhada pela Cultura de Paz”. “Será uma caminhada muito participativa, envolvendo todos os segmentos que trabalhamos na Sejusc, todos ligados à questão dos Direitos Humanos, que se apresentarão como em alas, durante toda a caminhada. Na dispersão, na Praça do Congresso, vamos soltar mil balões brancos, simbolizando a paz”, revelou Graça Prola. A concentração da caminhada ocorre na Praça Heliodoro Balbi, conhecida como Praça da Polícia. A caminhada percorre a Avenida 7 de Setembro, até chegar à Avenida Eduardo Ribeiro, e segue até Praça do Congresso. 

Assinatura - Na segunda, dia 12 ocorre a Pauta Afirmativa dos Direitos Humanos, data em que serão empossados os integrantes dos Comitês Estaduais de Prevenção e Combate a Tortura e de Respeito à Diversidade Religiosa e quando será lançado o primeiro Plano Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e de atenção aos Refugiados e Migrantes no Amazonas.

Conforme a secretária Graça Prola, no dia 12, segunda-feira, às 9h, acontece na sede do Governo do Amazonas, na Avenida Brasil, bairro Compensa, zona Oeste, uma reunião para a assinatura de protocolos criando a Plataforma de Educação em Direitos Humanos, institucionalização dos Comitês Estaduais de Prevenção e Combate a Tortura e de Respeito a Diversidade Religiosa e, ainda, lançamento do 1º Plano Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e atenção aos Refugiados e Migrantes no Amazonas. 

A secretária Graça Prola explica que a assinatura desses protocolos é um marco para a história dos Direitos Humanos no Amazonas. “Os Comitês Estaduais de Prevenção e Combate a Tortura e de Respeito e Diversidade Religiosa já existem, eles já atuam, e nós vamos oficializa-los”, informou.